Todos os meus motivos

8 07 2010

O último semestre foi bem estranho. Aconteceu tudo. E ao mesmo tempo.

Eu tirei uma pinta, descobri que era câncer de pele e operei.
Minha irmã operada do estômago fez a plástica para retirar o excesso de pele dos braços e ficou com os dois praticamente imóveis por quase 2 meses.
Eu passei uma produção no esquema 13 horas diárias de trabalho.
Minha irmã ficou desempregada.
Meu marido teve problemas com impostos atrasados.
Enquanto isso, minha mãe, que sofria de dores intestinais terríveis, descobriu uma diverticulite mal curada que causou um estreitamento no intestino. Teria que operar. Seria uma cirurgia bastante simples, com previsão de alta em 10 dias.
Arrombaram o carro da minha irmã, que eu estava usando enquanto minha mãe estava internada, entortando a porta e arrebentando o vidro.
Minha ex-cunhada resolveu sair da casa vizinha à casa da minha mãe e eu fiquei 3 meses na expectativa de me mudar pra lá. Eu consegui mudar no dia 26 de junho, esperando o dia da minha mãe sair do hospital pra eu poder tomar conta dela melhor.
Eu sei que outras coisas desse mesmo naipe aconteceram, mas já não consigo me lembrar o que foram.

**********

No dia 30 de maio, minha mãe foi internada para realizar a cirurgia de retirada de um pedaço pequeno do intestino. A cirurgia seria no dia 31.
Ela fez todo o sofrido preparo e subiu para a cirurgia às 7h30 do dia 31.
Às 9h soubemos que ela não poderia ser operada porque o anestesista não havia conseguido entubá-la. Parece que não é uma coisa tão incomum. Talvez tenha sido incompetência, sei lá.
Quando ela voltou pro quarto estava toda urinada, vomitada, descabelada, sem força e sem ter mais o que vomitar. Mas, mesmo assim, continuava tentando vomitar. Foi a da cena mais chocantes que eu vi na vida. Pensei que minha mãe estava morrendo ali, naquela hora, na porta do quarto, esperando a cama estar arrumada para que ela pudesse passar da maca pra cama.
Ela passou muito mal o resto do dia. Fizeram o preparo da cirurgia novamente e ela subiu para a cirurgia no dia seguinte, quando um endoscopista estava a sua espera para entubá-la.

A cirurgia aconteceu.
Ficamos sem notícias dela das 7h30 até às 18h. Já estávamos mais do que desesperados, quando o médico saiu da cirurgia e veio falar com a gente.
O caso tinha sido bem mais sério do que o esperado. Ela tinha aderência em tudo que era lugar. Os médicos acabaram tendo que tirar um pedaço muito maior do intestino, o útero, os ovários, um pedaço do ureter esquerdo e fazer uma raspagem na parede do abdomêm, onde os órgãos estavam aderidos também.
O ureter foi religado à bexiga. O intestino foi desviado por uma colostomia. Um dreno foi colocado no corte. Uma sonda foi ligada na bexiga. Minha mãe foi para a UTI (como já era previsto) com vários penduricalhos. Mas estava bem.
A previsão eram 3 dias de UTI. Ela ficou 1 dia e meio. Voltou para o quarto e foi melhorando um pouquinho por dia. Não tinha previsão nenhuma de alta, mas ela estava melhorando.
Ela sofria muito de dores nas costas. Sempre teve problema de coluna e a impossibilidade de ficar se mexendo na cama ou caminhar prejudicava ainda mais a coluna.

Mais ou menos uma semana depois da cirurgia, ela estava bem mais animadinha, de mais bom humor, comendo melhor, ensaiando uns passinhos, os exames estavam todos bons. O resultado da biópsia saiu e foi tranquilizador. Não deu nada malígno. Minha mãe teve diverticulite e endometriose. Quem diria…
Encontramos uma acupunturista que se dispôs a atendê-la lá no hospital para aliviar as dores e ajudar o intestino. Acabou ajudando um pouco.
Tudo indicava que ela teria alta logo.
Então notamos que o corte da cirurgia estava vazando. Mas não vazava sangue, vazava urina. Muita. O médico disse que era comum em cirurgia de reconstrução da bexiga ficar uma fístula (buraquinho). Essa fístula cicatrizaria em breve.

Ela ficou firme, cada vez melhor. Passeando um pouco pelo corredor. Esperando os doutores palhaços e o coral de velhinhos que passavam toda quarta-feira. Ela conseguia ir da cama até a porta para assistir o coral. E, assim que eu chegava para vê-la às quartas-feiras, ela dizia:
— Os velhinhos vieram cantar hoje e eu fui lá na porta assistir. Muito bonitinhos.
Ela gostava. Sempre gostou de música.

Diminuíram o líquido da dieta dela pra ajudar na cicatrização da bexiga. Isso fez com que as fezes ressecassem e não saíssem mais. Ela passou a se sentir pior (empachada, como ela dizia). Quatro lavagens intestinais foram feitas em dez dias, sendo que a primeira foi realizada enquanto os enfermeiros trocavam o acesso da veia central para a mão e tiravam sangue pro exame. Tudo ao mesmo tempo. Foi o dia que eu a vi mais assustada.
Não resolveu. O intestino funcionava, mas ela estava “entupida”. A bexiga também não parava de drenar pelo corte, o que significava que a fístula continuava lá.

As dores foram piorando. O humor dela foi sumindo. O cansaço foi tomando conta. Os passeios acabaram. Os palhaços e o coral não tinham mais o poder de animá-la. Nem falar ela queria mais. E não falava.

Depois de um mês da cirurgia, os médicos resolveram operar novamente para fechar a fístula e ver o que estava acontecendo com o intestino.
Ela subiu para a cirurgia às 16h30. Soubemos dela às 21h.
O ureter que tinha sido religado na outra cirurgia estava necrosado. Cortaram o pedaço e fecharam o ureter. Ela estava com um dos rins desligado. O intestino foi “ordenhado” e estava funcionando.
Ela foi pra UTI. No dia seguinte soubemos que ela estava com uma infecção generalizada. Os rins não estavam funcionando. A situação estava bastante séria.
A situação permaneceu séria, mesmo com os rins voltando a funcionar. A infecção não cedia, nem com o antibiótico mais forte.
Os dias foram ficando cada vez mais desesperadores, sem notícias dela a não ser por uma hora no período da manhã e uma hora no da tarde, que eram os horários de visita da UTI.

No dia 5, segunda-feira, ligaram pra minha irmã pedindo pra um familiar ir ao hospital porque a situação tinha piorado. Minha irmã ligou pros outros três e fomos todos pro hospital, junto com meu pai. Mas antes de chegar lá eu já sabia. Chegando ao hospital, duas pessoas deveriam subir à UTI. Eu não tive forças.

Minha mãe morreu às 8h30 do dia 5 de julho de 2010. Aos 65 anos. Até agora eu não sei porque…

********

Resolvi escrever tudo isso porque precisava pôr pra fora e porque tenho medo de esquecer. Eu já esqueci alguns detalhes. Não lembro, por exemplo a data da segunda cirurgia. Não sei se foi dia 30, 31 ou 1. Não quero esquecer mais nada. Não posso esquecer nem um minutinho da minha mãe.

Minha mãe foi a pessoa mais forte, íntegra, generosa e justa que eu já conheci. Ela casou com o melhor pai, teve quatro filhos que a amam profundamente, conquistou muitas pessoas, recebeu muitos filhos postiços que também a amam muito. Minha mãe não bajulava ninguém. Era autêntica. Acho que por isso mesmo ela conquistou tanta gente.
Eu não sei se um dia vai parar de doer. Eu não sei se um dia eu vou parar de me perguntar o que diabos aconteceu. Eu não sei se um dia eu vou parar de chorar.
Também não sei se a vida continua mesmo depois da morte, como dizem alguns. Mas, se existe, eu sei que minha mãe tá dançando “O cume” pros anjos lá no céu como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Te amo, mãe. Fica direitinha.

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Ações

Information

29 responses

8 07 2010
Aurelio Abreu

Minhas sinceras condolências. Você, uma pessoa oficialmente intelectual, já cansou de ouvir dessa “única certeza da vida”. Acredito que vivemos numa escola, e a formatura é quando morremos.
Desde os 19 anos de idade, acredito que existe vida após essa terra e digo que disso, tenho 99.999% de certeza. Não entrarei mais nesse assunto pelo qual tenho inquietação há uma década (fiz 29). É um momento de luto, e ainda não é hora de muita conversa. Sei (100%) que irá parar de doer, pois você é uma jóia cercada de jóias; sabe que é verdade.

Desejo-lhe paz, e contínuo sucesso.

Cordialmente,

Aurelio A.G.

8 07 2010
Pri

Poxa, Ana…
Depois de tanto tempo esperando um post novo aqui, vem uma notícia tão triste assim. Nem sei o que dizer, mas queria que soubesse que, mesmo sem conhecer sua família pessoalmente, sinto muito pelo acontecido e rezo para que de onde estiver, sua mãe esteja olhando por vocês.
Muita força pra você…
Com carinho, Pri.

9 07 2010
Marcelo Pará

Ana, esse foi um dos posts mais trágicos que já li na minha vida. Fui lendo e torcendo para que o eu temia ter acontecido não tivesse mesmo acontecido. Não tenho o que dizer, apenas que sua dor foi sentida aqui desse lado, lágrimas encheram meus olhos e por um momento o mundo ficou mais triste. Que você tenha muita força e que jamais se esqueça de nada.
Beijos

9 07 2010
Paula M.

Nossa, que história terrível.
Eu sei que não é o momento e nem sou a pessoa apropriada, mas será que não houve erro médico ou, no minimo, negligência?
Espero de verdade que você se recupere e essa dor se abrande com o tempo.
Que o que você acredita te dê força para continuar.
Beijo com muito carinho de uma leitora anônima.

9 07 2010
Chu

Se eu estivesse aí ao seu lado eu te daria um abraço. Como não estou, te mando um abraço virtual mesmo. Chorei lendo seu post e não consigo nem imaginar o quanto deve estar doendo. Sinto muitíssimo…
Um abraço bem apertado, com carinho…

9 07 2010
Katia

Nada escrito aqui vai retirar a sua dor, e seria cruel nega la a você nessa hora.
Entendo o motivo do seu post, e sinto muito por tudo.
Chore com alguém Cura melhor do que chorar sozinho.

cuide se.

10 07 2010
Calidia Bueno

Aninha…
Acho que nenhuma palavra conforta nesse momento, e nada faz as lágrimas cessarem, mesmo assim vou dizer que a mãe mais maravilhosa e amada no mundo com certeza vai deixar saudades mas acredito que onde quer que ela esteja deve sentir todo o amor de vcs, com certeza se conforta em saber que cumpriu sua missão de amar e ser amada e isso é algo que muitos desejam e poucos conseguem…então te desejo força e que vc encontre em sua vida todo o amor que vc merece pois tenho absoluta certeza de que esse é o desejo dela, seja sempre feliz aninha, sorria ao se lembrar dela pois com certeza ela sempre vai estar olhando por vc…

Mil bjos flor…mesmo sem te conhecer te adoro viu!!!

10 07 2010
Denise

Olá!
Primeira vez que visito seu blog.
Só uma coisa a te dizer: FORÇA.
Que a FORÇA nunca te abandone, nem quando você achar que ela já te abandonou e não volta mais.
A sua Força permanecerá no mesmo lugar de sempre e é exatamente onde ela vai sempre ficar.

Hold on.

D.

11 07 2010
Andrea

Juro que li até o fim esperando um final divertido, com a carinha dos seus outros posts… não há nada pra dizer nesse momento que diminua sua dor, mas, que Deus esteja ao lado de vcs amenizando esse sofrimento..

21 07 2010
Suzi

Ana, venho aqui a anos e nunca comentei. Acompanho teus escritos e longe e de vez em quando venho pra saber se vc escreveu mais alguma coisa.
Isso me derrubou.
Eu sei que não há o que dizer nessa hora, mas fica aqui meu beijo.

22 07 2010
Patricia

Carlotaaaaa
Poxa hj q lí seu post e confesso q meus olhos voltaram a encher de lágrimas…
Me encaixei perfeitamente qdo disse q sua mãe teve alguns filhos postiços, nuncaaa vou esquecer qdo passei alguns dias na casa dela e ela realmente me recebeu como filha.
É díficil de explicar o carinho q temos por todos vcs e a dor q sentimos qdo ela se foi.
NUNCA VAMOS ESQUECE-LA, POR ELA TER SIDO ESSA PESSOA TÃO MARAVILHOSA, AUTÊNTICA E QUERIDA.
Sei o q vc senti nesse momento e posso lhe garantir que vai passar, esquecer nuncaaa, mas vai amenizar, pode acreditar!!!
Conte conosco para o que vcs precisarem ( de verdade), pois nós amamosss vcs!!!
BJkass no coração.
Paty e Roberto

23 07 2010
Taísa

Ana,

Do mesmo jeito que algumas pessoas comentaram, passei por aqui esperando novidades e fui surpreendida com esta lamentável notícia.

Espero, de coração, que você consiga superar esta dor e que apenas repousem em seus pensamentos os momentos bons com sua mãe e toda a sua família. Embora não saiba de onde, tente tirar forças de algum lugar para ajudar seu pai, pois ele deve estar mais perdido e desnorteado que todos os filhos juntos. A idade avançada e a perda da companheira deve estar sendo devastadora.

Dirigirei minhas orações pra sua família hoje. Fica com Deus.

Um beijo carinhoso e um abraço apertado.

24 07 2010
Rosa

Ana, sinto muito, muito mesmo.

26 07 2010
Telma

Carlota… Acredite, conheço bem esse seu relato. Conheço os dias intermináveis, as horas que não passam, as perguntas estapafúrdias que a gente se faz durante o processo que parece em câmera lenta, com os sons que parecem vindos de dentro de um aquário. Tudo dolorosamente real, com um gostinho de “vou acordar logo, logo…” no final. Para vc, o que tenho a dizer é: a dor não passa, meu amor. A gente aprende a conviver com ela, e só. O vazio fica. Sempre e sempre. Te mando daqui, o melhor remédio que alguém pode querer: Amor. REceba um sincero beijo e um abraço beeeem “upa!”, bem quentinho e chamegoso. Vai ficar tudo bem.

29 07 2010
João Luís

Puxa, Ana, sinto muito! Perdi minha mãe e minha irmã (não ao mesmo tempo, mas nessa ordem) e a única coisa que aprendi foi que o tempo ajuda a gente a suportar muita coisa. Passe por um dia após o outro, sem pressa ou morosidade. Ao fim, fica melhor e as lembranças tornam-se mais suportáveis. beijos e abraços a você e a todos da sua família.

5 08 2010
soraya

Oi Ana,
Sempre venho aqui para rir… (e obrigada por isso).
Nesse momento voce precisa de muita coisa que a gente que te le nao pode te dar… Saiba que todos nos ficamos sensibilizados com a sua perda. Respeitamos a sua dor, e estamos certos que sua mae foi uma pessoa incrivel.
Eu sinto muito por tudo que te aconteceu, mas fica a certeza que voce a amava.
um abraco virtual
PS: desde que voce nao esqueca os momentos bons, tudo pode ser perdoado!

5 08 2010
fer

:*

6 08 2010
Fabi

Meu deus, que história. Que horror. Chora, sim, faz tudo que precisar fazer. Você tem todo o direito. Não vou dizer que “Você vai ficar bem” nem nada do tipo, te digo pra se dar o direito de se descabelar pelo tempo que considerar necessário.

15 08 2010
Michelle Soares

Ana, perdi minha mãe em 2000, aos 52 anos, depois de uma batalha de 2 anos contra um câncer que originou no ovário. Batalha essa que já começou perdida, como disse os médicos.
Minha mãe era uma descendente de espanhóis, mulher grande, de quadris largos, corpo lindo, cabelos anelados e fartos, alma vigorosa, todos que a cercavam a amavam profundamente. Definhou numa cama, passou a última semana de vida em coma num hospital, morreu com fiapos de cabelos na cabeça e parecia uma judia de campo de concentração. Até hoje me pergunto o porque aconteceu, porque daquele jeito, porque com ela. Quer um conselho? Não pergunte, essas perguntas sangram, doem na alma. Eu leio seu blog e do Marco Aurélio já faz uns dois anos e nunca escrevi, mas hoje li esse texto e me identifiquei.
Quando perdi minha mãe, a pessoa que mais me entende não estava ainda na minha vida: meu marido. E hoje penso que ter ele naquele momento faria toda a diferença. Aproveita esse doidinho que te ama demais ( a gente percebe mesmo que só lendo) e sua família. Perder a mãe eu comparo a perder um braço ou uma perna. Você ainda está vivo, se reabilita, mas algo essencial não está lá.
Hoje eu estou grávida de 7 meses pela primeira vez e é uma menina. E a saudade é como uma pata de elefante pressionando o peito, mas eu tenho tudo o que ela me ansinou e isso eu tenho o dever de passar pra minha filha.
Você fez bem em escrever, pra mim aqueles dias de abril de 2000 foi um borrão, as vezes vem em flashes, mas nada se encaixa.
Essa ferida não cura, para de sangrar, cicatriza, mas as vezes vai doer. Deixa o tempo te ajudar.
Beijos

30 08 2010
Marcelo Borges

Lamento muito. Fica em paz.

4 09 2010
Karina

Oi, Ana. Acompanho teu blog faz bastante tempo. O do seu marido, então, nem se fala. E sempre foi meio ritualistíco checar o JMC e depois vir aqui. Parece até que conheço vocês dois. E lamento muito essa que deve ser a pior perda do mundo. Feliz ou infelizmente vocês não vai esquecer, não. Eu sei, não se esquece jamais. Só espero que a dor diminua um pouco. Beijão…

7 09 2010
Kikario

Pois é nobre amiga… Sei bem como essas coisas machucam, entristecem e nos deixam com cara de Alá balão por não entendermos sobre o outro lado da vida. A verdade é que certo em toda a existência é a morte. Também perdi para morte muitos entes queridos, incluindo minha mãe e meu marido. Minha mãe não merecia, meu marido até mereceu, mais ainda assim gostaria de tê-lo aqui conosco. Fala sério! Sua mãe sofreu um bocado. Sabe amiga. Eu tive câncer no reto há + ou – vinte anos. De La para Ca tenho sofrido bastante com os resquícios que o câncer deixou e também tenho diverticulite e uma área que esta se rasgando por causa da rádio terapia há tantos anos aplicados. Fiz duas cirurgias mal sucedidas e no momento to cagando literalmente pra tudo isso, porque não tenho condições de uma clínica particular que venha a me tratar bem tipo um COPADoor… Sei lá entende.
Compreendo a sua dor, a sua perda… Sei que dói pra cacete literalmente um chute no saco. Por que cargas dáguas são assim que a vida e morte acontecem não sei te informar, mais sei que temos que ir a luta mesmo querendo parar o trem e descer. Não temos escolhas ou seguimos no trem ou… nos fudemos mesmos.
Essa semana fui assistir o filme badalado Nosso Lar. Cara… Tive uma sensação horrorosa, só não sai no meio da fita porque estava muito escuro e tive receio de cair na pequena escadaria do cinema. Já pensou? A velha rolando pelas escadas no escurinho do cinema…. Não tô pra pagar mico pra otário rir não. O restante desse espetáculo grandioso da nova pátria em nosso lar eu conto no meu blog. http://WWW.navedekika.com .
Dois meses é muito recente para tamanha perda, mais garanto a você que o tempo vai amenizar essa dor. Você não irá esquecer mais não se lembrará toda hora. É assim que se da comigo. Essa semana eu chorei de saudades do que se foram, principalmente do falecido marido. A vida continua. Você é brilhante, inteligente e muito bom astral. Vou torcer para que tudo se acalme em seu coração e desejo pra você muito boa sorte e felicidades. Biju.

11 09 2010
eu

Assim, não te conheço.
Mas li o seu post e por isto te deixo um abraço apertadinho e um beijo no seu coração.

16 09 2010
fernanda

ola…te escrevo por que me identifico muito com sua dor. Perdi meu pai faz oito meses com 55 anos, infarto fulminante,e a dor realmente é desesperadora. não tive a chance de me despedir, de abraça-lo pela ultima vez, e nem sei se ele sabia o quanto que eu o amava. a vida fica mais triste,sim, e entendo seu medo de esquecer as coisas, os momentos. eu tambem tenho.nunca tinha parado pra pensar sobre o que acontece depois da morte, mas agora, é melhor a gente acreditar que eles ainda existem, em algum lugar, senão a gente pira…e, quanto a ficar pensando nos motivos da ida dela, tente nao pensar…eu fazia isso nos primeiros meses e doia demais…melhor pensar que “chegou a hora”, como dizem…fique só com as recordações boas e com a saudade, que ja dói pra cacete…beijos, abraços, e força pra continuar essa vida severina…

22 09 2010
Érica

Vim para seu site, quando li em um dos comentários do seu marido, ele citando você como a “marida”, isso me atraiu e pensei que deveria ser interessante ler, como achei as verdades que ele conta também interessante…. Depois cheguei no post que conta a sequência de acontecidos desagradáveis, sua pinta, que era um cancer de pele, sua irmã, até chegar na sua mãe… me comovi com suas palavras, sua autenticidade e sua trsiteza ao relatar o ocorrido com tanta precisão e me coloquei a chorar lendo, tentando sentir ou quem sabe aproximar minha compaixão com seus sentimentos tão delicados neste momento… Por um momento, achei que você faria um relato e levaria para algum advogado, isso não seria o ideal a se aconselhar, é que não é um conselho, é que da forma como relatou os detalhes, eu de fora lendo, me parece como um erro médico, posso estar muito equivocada, afinal sou completamente leiga, mas o fato de contar da fístula, da urina que saía, isso é muito estranho e ao ler, pensava que gostaria de lembrar de todos os detalhes como lembrança fiel, depois me veio isso, que poderia ser uma forma de tentar descobrir a verdade… não que vá mudar alguma coisa e traz~e-la de volta, mas se de fato for um erro médico, isso poderá ser evitado com outras pessoas… Desculpe, não era esse o consolo que eu deveria estar te passando…. Mas, achei muito estranha a maneira como relatou a postura médica…
desejo de coração que consiga se fortalecer e rezar muito seja qual for a sua religião, se é que vc tem uma, mas, acho importante se conectar a algo e tentar se recarregar, afinal você está aqui e tem uma vida ainda pela frente e deverá fazer o seu melhor, para aqueles que estão aquie e contam com vc… e agora mais que antes, usar tudo o que de melhor aprendeu com sua mãe e se espelhar e renascer das cinzas, tal qual a mitologia diz da Fenix, isso que ela espera de você, não tenho dúvida.

Um abraço fraterno e muito carinhoso com muita perseverança

Érica

13 10 2010
Cristina

Oi, não te conheço, vc não me conhece. Nem lembro como cheguei no seu blog e li sobre a morte da sua mãe. Comecei a chorar porque hoje – 13/10 – seria o 77o. aniversário da minha mãe. Ela morreu em 01/11/2007 do mesmo intestino operado, aderências, infecções e generalidades depois de ficar 60 dias no hospital, 45 deles na UTI. Dói … e dói muito. Fica a saudade … que émuita! Sinto muito.

5 12 2010
luiza

sabe…

espero que Deus te abençoe, e que a dor seja um pouco mais suportável.

beijso ana.

26 12 2010
bruna

ana, eu não te conheço, mas se pudesse te daria um abraço agora. força.

6 04 2011
Ana

Me emocionei e Chorei…
MInha mãe é tudo na minha vida… moramos longe e me coloquei no seu lugar pensando em como será quando ela morrer!!! Deus… por favor não!!!!
Eu sei que todos teremos que passar por isso… e já sinto a dor chegando… Não será fácil!!!
Que Deus te abençoe e te guarde… porque só Ele é capaz de acalmar o coração de quem passa por isso!!!!

🙂

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