Higiene interpessoal

26 05 2008

Hoje de manhã, no metrô, uma pulseira de strass me chamou atenção. Eram três fileiras inteiras de strass, que brilhavam muito. Um luxo. Muito apropriado para a ocasião, afinal metrô pede strass. Ou não?
Seguindo o braço dono da pulseira, achei uma adolescente vestida como uma típica adolescente: jeans, camiseta, casaquinho listrado de várias cores, tênis e, claro, pulseira de strass. Pois é.
Notei que ela estava de mãos dadas com o namorado, que ia sentado ao lado. Depois de alguns segundos, notei que eles não estavam apenas de mãos dadas, ela estava fazendo alguma coisa no dedo dele. Prestando mais atenção, consegui perceber que ela passava a sua (dela) unha embaixo da unha dele, tirando aquela sujeirinha amiga que fica concentrada ali no subsolo das extremidades de nossas pinças anatômicas. Ela repetiu esse movimento em todas as unhas do rapaz.

Isso mesmo, sem a menor cerimônia, ela fazia a higiene das unhas do namorado no meio do metrô. Quando eu achei que já tinha visto tudo de pior, ela levou o dedo à boca. Então eu morri. Não. Eu mudei de lugar e, assim que a porta abriu, mudei de vagão.

Nesse momento, agradeci a todas as forças sobrenaturais, nas quais eu não acredito, por estar prestes a casar com um menino que me deixou bastante claro que, para ele, assim como para mim, higiene pessoal é realmente pessoal e intransferível. E banheiro foi feito para ser usado individualmente. Sempre.

Anúncios