No metrô…

26 09 2006

– AH, DEIXA, MÃE!

Uma voz estridente e chorosa me chamou a atenção.

– DEIXA! POR FAVOR!
– Não, e pára de gritar.

Sentada atrás de mim. Devia ter uns 7 anos, no máximo.

– Tá, eu paro, mas deixa eu ficar com uma linha de telefone.
– Não.
– Mas porque não? Vocês não usam. Põe a 3211 no meu quarto e você e o meu pai ficam com a 3155. Ninguém usa a 3211.
– E nem você vai usar.
– Mas por queeeeeeeeeeee?
– Você vai pagar?
– Eu não. Você vai.
– Não, não vou.
– Mas vai ficar baratinho. Cê sabe que eu nem falo muito.
– Não, filhinha. E chega.

Instantes depois.

– Eu posso entrar no chat da UOL?

Quase virei pra trás e disse: HEIN?

– Vou pensar.
– Mas você pode estar em casa.

Virei pra trás, mas não disse nada.

– Todo mundo entra sem ninguém junto. Deixa eu entrar.
– Depois a gente vê.
– É super legal, mãe. Todo mundo conversa. E se eu for encontrar alguém, você pode me levar.

HEIN? Não, eu não disse, só pensei.

– Não.
– Mas por que nãooooooooooooooo?
– Porque não.
– Todas as minhas amigas entram. As mães ficam vendo a conversa, elas participam.
– Não insiste, filha. Depois nós vamos ver.

Alguns instantes.

– Você viu que a Fê comprou uma mochila nova?

XIIIIIIIIIII. De novo, só pensei.

– É…?
– É! É LINDA!
– Hm…
– É, então… Tem rodinha.
– Hm… hm…
– Agora eu quero uma nova também. Cê tem que comprar uma pra mim também.
– Não.
– Mas no começo do ano que vem, você vai me dar uma mochila nova, né?
– Pode ser. Vamos ver.
– Com rodinha.
– A gente vê…
– Dos Rebeldes. Cê tem que comprar pra mim.

As pessoas em volta se olhavam.

– MÃE! Sabia que tem tudo dos Rebeldes agora????
– É?
– ÉÉÉÉÉÉÉÉ! Tem até…

Saíram. E ninguém enforcou essa criança.

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23 09 2006

Sabe o que me deixa muito mal? Mal a ponto de ter chorado horrores nesses últimos dias…
Não conseguir evoluir. Não conseguir andar pra frente. Ter que começar tudo de novo, mais uma vez, pra me livrar de uma patroa não-profissional.
Entrar num esquema novo e ter que esperar que confiem no meu trabalho, dar tempo até eu mostrar que eu sou capaz, esperar uma oportunidade melhor, aceitar ganhar menos, ter calma até que melhorem o meu salário
Tudo de novo. Enquanto eu vejo que tá cheio de gente burra e incompente por aí, trabalhando em empresas muito boas, com cargos de chefia, ganhando bem.
Saber que eu sou mais competente que a maioria – sem modéstia nenhuma mesmo, porque eu sou boa no que eu faço – e não consigo evoluir porque não conheço as pessoas certas, não sou parente das pessoas certas e não lambo saco de patrão por nada no mundo.

Ter sempre que andar pra trás…

Estar com quase 30 anos e não ter conseguido nada profissionalmente.





Duas horas sem internet no trabalho

23 09 2006





Às vezes eu tenho vontade de matar…

23 09 2006

De verdade.

Mas é só às vezes.





22 09 2006

Nunca na minha vida desejei tanto saber fazer uma coisa que eu sou completamente incapaz de fazer, só pra que eu pudesse ensinar…





Um post adolescente

20 09 2006

Há 12 anos, eu terminei o colegial e fiz vestibular pra medicina veterinária. Não passei, fato que eu agradeço muito hoje em dia, mas que na época foi motivo pra uma tristeza imensa.
Como passaria pelo menos um ano de bobeira, e tinha acabado de atingir a idade mínima pedida, fui fazer um curso de desenho na Escola Panamericana de Arte.
Eu sempre adorei desenho, pintura, artes manuais e todo esse tipo de coisas que não servem pra nada, e desde muito nova quis fazer esse curso, mas, como já disse, não tinha idade suficiente.
Com idade e tempo disponíveis, fui.
O curso era de três anos: no primeiro, noções básicas de desenho e pintura; no segundo, você escolhia entre comunicação visual ou pintura; no terceiro, seguindo comunicação visual, seria publicidade.
Depois de descobrir, no primeiro ano, que lápis são legais, mas pincéis são meus inimigos, optei por comunicação visual e conheci o professor que seria o responsável pela minha vontade de fazer vestibular para publicidade/propaganda.
Sim, a culpa é dele. Foi ele quem me fez gostar desse negócio.
Fiz o terceiro ano do curso junto com o primeiro da faculdade de publicidade. Perdi um pedaço do dedo no estilete, finalizando um layout, neste ano também – foram muitas emoções -, mas isso são detalhes.
Me formei há 6 anos, já trabalhei em agência, já fiz freela, já fiquei desempregada, já levei muito calote. Atualmente, trabalho em editora.
Uns 2 meses atrás, fui procurar uma mensagem na caixa de entrada da minha ex-colega, e, quando achei, levei um susto. O nome do remetente era o mesmo do meu professor, que não é um nome muito comum.
Resolvi dar uma de louca e mandei um mail perguntando se era ele, contando que ele era o culpado dessa minha vida de amarguras – ó vida, ó céus, ó azar.
Era ele. Ligou aqui, conversamos e virou meu contato no MSN, daqueles que você não conversa nunca mais.
Pra minha surpresa, na semana passada ele me chamou no MSN, perguntando sobre a minha disponibilidade pra um freela urgentíssimo – como se todos não fossem. Fiz.
Hoje ele me ligou pra saber o número da conta de depósito do pagamento – Ó! -, perguntar se eu faço layouts de risco – aqueles que você manda sem o pedido do cliente, e seja tudo o que Deus quiser – e me propor uma parceira com ele.

Agora o comentário adolescente:
Cara, cê tem noção que o meu professor me chamou pra trabalhar com ele? Gente!





Dread locks

15 09 2006

Segunda-feira, no ônibus, um dread do meu lado, virado de costas pra mim.
Terça-feira, no banco, um dread sentado na minha frente.
Quarta-feira, na barraca de pastel da feira, um dread na mesa ao lado.
Este último foi embora antes de mim. Quando cheguei na porta da editora, quem estava lá? Sim, ele.

Eles estão em todos os lugares, planejando como dominar o mundo usando seus piolhos – que ficam confinados nos dreads, com água, luz e comida racionados, até ficarem selvagens o sufciente para o momento do ataque – como armas. Mas, antes disso, eu consigo minha passagem pra Plutão.
Prefiro um planeta verticalmente prejudicado do que um planeta tomado por piolhos enlouquecidos e com sede de sangue.

UPDATE:
Quinta e sexta-feira, no metrô, à minha frente na escada rolante e no banco à minha frente, respectivamente.
Tô começando a achar que eles querem me usar no seu plano.