22 12 2010

Pra mim, o Natal sempre começou no dia 22, na comemoração do aniversário da minha mãe.
Todo mundo jantando junto, presentes, festa, a árvore acesa, minha mãe achando ruim que nós gastamos dinheiro com ela. Isso tudo sempre foi como o pontapé inicial do Natal. O dia em que as comemorações começavam. O dia em que eu sentia que era Natal.

Hoje foi um dos dias mais sofridos do ano pra mim. Talvez mais que o próprio dia de Natal. O dia em que eu mais desejei dar um abraço e um beijo. Não teve jantar com todo mundo, nem presente, nem festa. Teve a árvore, mas mal olhei pra ela. E nunca mais vai ter minha mãe achando ruim.





22 10 2010

Tenho 3 ou 4 calças novas, esperando pra fazer barra.

Elas estão lá esperando desde uns dias antes da minha mãe ser internada. Eu ia deixar pra ela fazer as barras quando estivesse em casa se recuperando da cirurgia. Pra ela se distrair.
Era minha mãe quem fazia as barras das minhas calças. Sempre foi uma luta pra ela conseguir que eu vestisse as calças pra ela marcar o comprimento. Eu detestava fazer isso. Às vezes passavam semanas com ela falando todos os dias pra eu vestir a bendita calça pra ela marcar.

Agora as calças estão lá e eu não tenho coragem de mexer nelas. Não consigo seperá-las pra levar pra fazer as barras. Não consigo nem pensar nisso. Ontem à noite pensei em separá-las pra levar pra minha sogra fazer pra mim. Pra ela se distrair. Mas não consegui.

Uma das calças eu tenho usado com uma barra tosca feita com esparadrapo. Fiz isso quando minha mãe ainda estava no hospital e continuo fazendo até hoje, toda vez que eu lavo. Quando mostrei pra ela a barra feita com esparadrapo, ela ficou brava e achou graça ao mesmo tempo.

– Tem mais umas que precisa fazer a barra. Tô esperando a senhora ir pra casa. Mas essa eu precisava usar, ué.
– Vamos ver quanto tempo vai demorar pra você vestir pra eu marcar.

É, vai demorar…





15 10 2010

Falta um mês pro aniversário do meu pai. Dois pro meu.

Só de pensar…





15 10 2010

Eu sempre conversei muito com a minha mãe. Depois que casei, ligava todos os dias, pelo menos uma vez no dia, pra saber as novidades e contar as minhas. Contava tudo pra ela. Com detalhes, mímica, vozes, encenação e o que mais precisasse, sempre fazendo uma palhaçada. Até ela rir. Nunca precisou muito.
Qualquer coisa que acontecesse, até as coisas mais bobas, eu passava a mão no telefone pra contar logo pra ela. Ainda hoje, me pego ligando pra ela pra contar alguma coisa que aconteceu. Aí eu lembro e ponho o telefone no gancho.

Quando comecei a fazer pilates, um mês depois que minha mãe morreu, sofri um tanto porque eu queria contar pra ela como era. Seria muito divertido reproduzir como eram os movimentos, os exercícios, a respiração. Eu faria algum dos movimentos exagerando e fazendo palhaçada. Ela ia rir, fechando os olhos e passando a mão pela boca. Depois diria “maluca”. Só isso. Maluca. Como só ela sabia dizer.

Depois, quando comecei as aulas de dança de salão, dois meses depois da morte dela, eu sofri muito por não poder contar. Acho que ela ia gostar muito de saber. Ela gostava de dançar. Lembro dos meus pais dançando em casamentos, formaturas, festas e até em casa. Eu achava tão bonito. Meu pai dançava lindamente todos os ritmos com os mesmo passos. Minha mãe acompanhava suavemente. Repousava a mão no ombro do meu pai de um jeito muito meigo. Ela tinha um jeito diferente de se mexer. Rebolava sutilmente, na medida certa. Quando comecei as aulas, percebi que eu danço igualzinho a ela. Os trejeitos são os mesmos. Seria tão engraçado mostrar isso pra ela. Eu daria uns passinhos com o meu pai pra mostrar como é igual. Ela ia rir, de novo fechando os olhos e passando a mão pela boca. Depois diria “você dança muito mais bonitinho”. Como sempre dizia quando alguém comparava nós duas.





Se eu pudesse…

13 10 2010

Passaria por tudo de novo só pra não ver meu menino sofrendo desse jeito.





3 meses

5 10 2010

E eu ainda choro todos os dias.





E fica cada vez melhor…

28 09 2010







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