Depois que eu comprei o Mac, vendi meu PC. Sendo que eu pretendo casar e mudar, e que eu tenho um computador e meu namorado tem outro, seria absurdo ficar com um terceiro. Ok, vendi. Minha irmã ficou com um que meu irmão deixou aqui quando casou. E meu irmão, que é meu vizinho, tem um novo. Esses três computadores dividem uma conexão internetal. Perfeito. Lindo. Maravilhoso.
Seria fantástico se nós não tivéssemos um caboclo derrubadô dazinternéti instalado no modem. Acontece que de repente a conexão cai e os computadores ficam a ver navios. Não é problema do speedy, nem da linha, nem nada. É o cabloco. Há uns dias, meu técnico fez uma mandinga e tudo melhorou bastaaaante. Vejam, eu disse melhorou e não resolveu. De vez em quando ainda cai. E esse quando em vez é sempre que minha irmã quer usar o MSN ou entrar no Orkut, as duas únicas razões pelas quais a criatura usa o computador.
Hoje, eu estava saindo do salão onde havia feito as unhas (porque eu sou muito fina), meu celular tocou. Xinguei um bocado antes de atender porque o aparelho estava no meu bolso e eu tive que fazer malabarismo para pegá-lo sem borrar as unhas, mas atendi. Era minha irmã um tanto quanto alterada, querendo saber porque a internet não funcionava.
— Como é que EU vou saber? Eu não estou aí, percebe?
— Ué, não é você que sempre mexe nisso?
— …
— Você vai demorar?
— Não, já tô indo pra casa.
— Então vem logo.
— ¬¬. Escuta, a internet no meu tá funcionando?, testando.
— Não sei. Não liguei.
— Muito bem. Continue assim.
— ¬¬
Chegando em casa, fui ver a bagaça. Bati um papo com o caboclo derrubadô dazinternéti, mas ele disse que nada tinha a ver com a situação.
— O buraco é mais embaixo, mizifia, disse uma voz que vinda do modem.
Pensei em sair correndo, mas minha irmã não deixou.
Tentei o que qualquer ser humano (menos a minha irmã) em sã consciência tentaria: desliguei o modem, desconectei os cabos, conectei-os novamente e religuei o modem. Tudo isso com as unhas ainda úmidas e correndo o risco de estragá-las. A luzinha da placa de rede não acendeu. Hm…
Nesse instante, meu irmão – meu vizinho que usa a mesma conexão, lembram? – ligou pra saber o que havia acontecido com a internet que ele estava usando, e, de repente, não estava mais. Minha vontade era dar uma resposta bem malcriada, mas lembrei que só o amor constrói e contei o ocorrido.
— Eu vou aí.
Ele veio. Trocamos o cabo por um novo que ele tinha, e nada. Concluímos que era a placa de rede que estava queimada.
— Vamos fazer um teste: a gente pega aquela torre que tá ali em cima do armário e liga aqui. Se funcionar é a placa de rede que tá queimada. Aí a gente pega a torre que tá embaixo da escada, tira a placa de rede e põe no micro da Vic.
Pausa para explicação:
As pessoas da minha casa têm um certo apego exagerado às coisas. Elas têm muita dificuldade no quesito “livrar-se de coisas imprestáveis”. Por isso tem tanto computador largado na minha casa. Meu pai foi comprando, melhorando o que já tinha, sem se livrar dos que já estavam aqui. Minha casa é um museu. Sim, eu tenho um trauma por isso.
Fim da explicação.
Foi o que fizemos. Aliás, eu fiz. Eu desliguei os cabos todos e liguei na outra torre com as unhas recém-pintadas. Uma felicidade. E, imaginem, funcionou.
Continuamos com o plano, abrindo a torre debaixo da escada, retirando a placa de rede, instalando no outro micro. Eu até descobri o que é não-sei-o-quê-onboard. É um negócio que não precisa instalar. Bom, o caso é que a placa era offboard e tivemos que fazer a instalação.
Tudo funcionou. Tudo é divino, maravilhoso.
Enquanto meu irmão fechava a torre que, originalmente, estava em cima do armário, fui fechar a que estava embaixo da escada, com as unhas quase secas. Encontrei a torre deitada, descansando. Mandei ela largar de palhaçada, levantar e se vestir, mas ela é uma preguiçosa. Coloquei-a de pé e encaixei a tampa. Ou deveria ter encaixado. O breguete não entrava. A tampa travou. Não ia, nem vinha. Ouvi uma risada grossa e assustadora vinda do modem. Mandei o caboclo derrubadô dazinternéti calar a boca e fiz mais força.
Foi aí que meu irmão entrou. Vendo minha dificuldade, veio me socorrer.
— Acho que eu fiz alguma coisa errada. Não tá encaixando.
— É. O computador tá de cabeca pra baixo.
— PÁRA! Cê acha que eu ia… olha, esses são os pezinhos… ah.
Bobagens dos outros